quarta-feira, 14 de março de 2012

Mãe da Praça de Maio sofre agressão na Argentina


Nora Centeno, militante das Madres de Plaza de Mayo, foi assaltada, golpeada violentamente e ameaçada por homens que entraram em sua casa na cidade de La Plata, no último sábado.


Centeno contou que estava na cozinha quando três pessoas entraram em sua casa por um terreno vizinho. Quando perguntou o que estava acontecendo, um dos sujeitos golpeou-a na cabeça e a jogou no chão. Logo em seguida, a amarrou e a arrastou até o quintal de sua casa, onde também estavam sua nora, a companheira desta e sua filha.

“Como disse a eles que não tinha nada me arrastaram até o quintal uns vinte metros. Neste momento lhes disse que era uma Madre de Plaza de Mayo e pedi que não me batessem mais”, relatou Centeno. “Eles se irritaram mais ainda, me deram uma coronhada e me arrastaram de novo até a casa porque disse que tinha 500 pesos guardados”.

“Eles ficaram uma hora em minha casa e me torturaram. Não foi um assalto ou roubo”, disse Nora, mãe de um desaparecido pela ditadura argentina em 1976 e integrante da linha fundadora das Madres de Plaza de Mayo, ao diário platense Diagonales.

“Vocês sabem como é isso. Vamos te dar um tiro”, disse um dos assaltantes quando a mulher se apresentou com Madre de Plaza de Mayo. Logo em seguida, os sujeitos começaram a gritar e a golpeá-la, ainda com mais força. “Denunciei três dias mais tarde porque quero saber quem está por trás disso”.

Ainda que possa ter sido um delito comum, chamou a atenção o fato de que a única pessoa agredida foi ela, apesar de outros familiares estarem juntos naquele momento. Nora ficou com graves ferimentos no rosto por causa dos golpes. “Eram jovens, mas não pareciam ser marginais. O que bateu em mim não estava drogado. Falavam bem. Não foi um assalto ou roubo. O que fizeram comigo foi uma verdadeira tortura. Quero que a Justiça investigue o caso a fundo para ver quem os mandou aqui”, completou Nora Centeno. (Vermelho)

1ª Marcha das Vadias aconteceu em Pelotas debaixo do Sol


[O IMA foi apoiador do movimento]

Centenas de mulheres (e homens) participaram da Marcha que denuncia as opressões e rememora as conquistas empreendidas pelas mulheres

O nome pôde até causar uma espécie de ‘espanto’ no início de sua divulgação: Marcha das Vadias? Alguns e algumas, preocupados com o que isso poderia dizer, se chocavam com o termo. “E é para chocar mesmo”, argumentou uma das organizadoras, Rebeca Scalco, do Coletivo Juntos. “É para se chocar com a grande violência que ainda existe contra as mulheres.” 15 mil são estupradas ao ano no Brasil, significando a cada 5 minutos, 2 mulheres recebendo violência e abuso, num total de 80% dos casos de estupros cometidos dentro de casa. Dados fortes que devem causar choque e indignação.

Denunciando a violência, o demorado papel do Estado na pauta da mulher e a busca pelo reconhecimento de uma liberdade maior da alma feminina, centenas de mulheres e, inclusive, homens, participaram da 1ª Marcha das Vadias, em Pelotas, organizada pela gestão Todas as Cores, do DCE da UFPel e pelo Coletivo (Des)Construindo Gêneros. O movimento percorreu as principais ruas do centro da cidade e teve seu encerramento com uma concentração e falas de representantes de diversos movimentos e instituições, na praça Coronel Pedro Osório, durante o dia de sábado.

Faixas, cartazes, gritos, megafones, distruibuições de panfletos informativos, homens vestidos de mulheres, roupas “diferentes” e liberdade de expressão contra o abuso à mulher acompanharam o movimento que, na avaliação da organização, se mostrou forte e pretende dar continuidade a algo que é muito mais profundo do que o susto que o termo “vadia” causa. De acordo com as organizadoras, a primeira marcha deu início a um movimento que pretende pautar frequentemente a denúncia contra a violência física e psicológica contra as mulheres.

(Video feito antes da Marcha, com as organizadoras. Produzido para o Programa Nossa Luta)

O PORQUÊ DO "VADIAS"

Em meados de 2011, em uma Universidade de Toronto no Canadá, um policial palestrando sobre segurança, orientou as mulheres que parassem de vestir-se como “Vadias” para diminuir o índice de estupros dentro do espaço da Instituição de Ensino. A partir desta declaração a revolta foi imediata e as mulheres se organizaram e criaram a "Slut Walk", ou em bom português, "Marcha das Vadias". Em seguida, a Marcha foi organizada em diversas partes do mundo, como em Los Angeles, Chicago, Buenos Aires, São Paulo, Brasília, etc. Pelotas foi a primeira cidade do Estado a organizar a Marcha em 2012.

terça-feira, 6 de março de 2012

Plenária de Planejamento organiza e fortalece a caminhada do IMA para os próximos anos


No último sábado (3) , o IMA realizou a sua Plenária de Planejamento para organização das atividades do ano de 2012. A plenária aconteceu na sede da ADUCPel, durante todo o dia.

Na parte da manhã foi feita uma apresentação sobre as definições do Seminário de Planejamento Estratégico, realizado em julho de 2011. Os participantes debateram sobre formas de sustentação financeira do Instituto, com ênfase para a produção de projetos nas áreas de atuação do IMA.

No decorrer do dia foi feita uma avaliação sobre os trabalhos desenvolvidos pelos Grupos de Trabalho em 2011 e a partir daí foram realizadas reformulações em alguns destes GTs, para atender às demandas atuais do Instituto.

A Plenária também discutiu as prioridades de cada GT para 2012 e a partir deste debate, os grupos estabelecerão, nas próximas duas semanas, seu calendário de atividades, priorizando o primeiro semestre do ano. Foram definidas ainda, as datas para as próximas plenárias do Instituto, que serão realizadas nos dias 5 de maio e 7 de julho.

A Coordenação Geral do IMA avalia que a plenária foi bastante satisfatória, tanto quanto à presença dos envolvidos no cotidiano do Instituto, quanto às definições do encontro, que preveem uma série de atividades para 2012, fazendo com que o IMA cumpra sua função de atuar na formação política dos militantes e movimentos sociais de Pelotas e região.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

IMA retoma suas atividades com Plenária de Planejamento Estratégico

Para a concretização do debate já iniciado em 2011, o IMA dá a primeira largada para as ações práticas que visam pensar e organizar os seus próximos anos

O Instituto de Estudos Políticos Mário Alves retoma suas atividades e convida a todos para a Plenária de Planejamento 2012 no próximo sábado (3), a partir das 9 hs, na sede da ADUCPel (General Telles, 562).


No marco de seus 10 anos em 2011, o Instituto realizou um Seminário de Planejamento Estratégico, com a participação de membros, sócios e colaboradores. O resultado foi a ativa interação nas oficinas que buscaram incitar o debate e a reorganização do Instituto, a partir de temas como sustentabilidade, identidade, profissionalização e mobilização de recursos.

Pensando em uma participação maior de todos no processo de avanço do IMA, a Plenária do próximo sábado busca, além de informar aos participantes a real situação institucional; a recomposição dos Grupos de Trabalho do Instituto (Formação Política, Administração e Finanças, Cultura e Eventos); o Calendário de atividades de formação para 2012 e a plena organização com encaminhamentos do planejamento iniciado em agosto de 2011.

O debate será distribuído durante o dia de sábado com um almoço sendo oferecido aos participantes.

Para confirmar presença, basta enviar um e-mail para imapelotas@yahoo.com.br ou ligar para o Instituto: 53 30257241 até sexta-feira.

- SAIBA MAIS SOBRE O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO AQUI.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Preservar a memória



O Brasil viveu 21 anos (1964-1985) sob ditadura militar. A esdrúxula Lei da Anistia pretende colocar uma pedra sobre as atrocidades cometidas naquele período contra os que lutavam por liberdade e democracia. E há escolas e universidades que ainda ignoram o terrorismo de Estado vigente no Brasil ao longo de duas décadas.

No entanto, as vítimas não se calam. Não admitem clandestinizar a dor de seu sofrimento e a de tantas famílias de mortos e desaparecidos. Segundo Primo Levi, sem memória da injustiça não há justiça possível.

No momento em que o governo Dilma Rousseff aprova a Comissão da Verdade é preciso lembrar que funciona em São Paulo o Núcleo de Preservação da Memória Política. Surgiu em 2007, no contexto das atividades do Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo, fundado para defender os interesses dos ex-prisioneiros políticos e perseguidos durante a ditadura.

Em 2008, logrou que o antigo prédio do DEOPS, no Largo General Osório, se transformasse em Memorial da Resistência. Desde então, promove ali os Sábados Resistentes. É o primeiro projeto museológico de memória no Brasil.

Em 2009, tornou-se uma instituição independente. Propõe-se a mobilizar pessoas interessadas na abertura dos arquivos da ditadura, preservar a memória das vítimas, incrementar a cultura de respeito aos direitos humanos, propiciar formação política às novas gerações.

Hoje, o Núcleo Memória é membro da Coalizão Internacional de Museus de Consciência em Lugares Históricos.

O objetivo do Núcleo Memória é preservar a luta pela liberdade e democracia; dignificar a história dos brasileiros que se empenharam nesse sentido; colher depoimentos e fontes documentais que permitam fortalecer o resgate histórico; e conhecer o passado recente da história do Brasil.

Empenha-se também em promover a recuperação dos lugares emblemáticos em que foram praticadas violações aos direitos humanos; realizar eventos culturais relacionados à resistência e à memória; exigir dos poderes públicos a preservação e divulgação dos arquivos existentes; valorizar os lugares simbólicos de atos da resistência democrática; participar de intercâmbios de experiências similares em outros países, em especial no MERCOSUL.

Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

IMA informa datas de recesso

O Instituto Mário Alves informa a todos os seus associados a data de recesso no periodo de carnaval e pós feriado: de 20 a 27 de fevereiro o Instituto estará fechado, reabrindo no dia 28.

Para este ano, o IMA se propõe a dar continuidade `as atividades inserindo ainda mais a comunidade em seus seminários, ciclos de cinema e a execução do segundo ano do Ponto de Cultura Memórias em Movimento.

Um ótimo carnaval a todos os companheiros e até breve.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

100 anos de Apolônio de Carvalho


Por Felipe Balladares

Neste último dia 9 de fevereiro estaria completando 100 anos Apolônio de Carvalho, militante comunista. Nascido em Corumbá, MS filho de um soldado sergipano e de uma dona de casa gaúcha, Apolônio aderiu à vida militar e com pouco mais de vinte anos já era oficial. No exército entrou em contato com as idéias políticas do movimento tenentista e logo ingressou na ANL (Ação Nacional Libertadora) movimento do tipo “frente popular” apoiado pelo PCB então principal partido de esquerda do Brasil. Com a repressão que se seguiu ao levante de 1935 (conhecido como Intentona Comunista) do qual a ANL foi protagonista, Apolônio foi preso e teve seu posto no exército cassado.

Após ser libertado em 1937 filia-se ao PCB. Era o período da Guerra Civil Espanhola, e Apolônio partiu para a Espanha para lutar nas Brigadas Internacionais, movimento de voluntários que saíram de diversos países para defender a República Espanhola do Fascismo. Em 1939, quando as Brigadas são dissolvidas e os Republicanos são derrotados, Apolônio têm de se refugiar na França. Ali permanece prisioneiro de um campo de concentração para refugiados espanhóis até 1940 quando foge para Marselha.

Com a invasão da França pelos nazistas, Apolônio ingressou na Resistência Francesa e 1942 tornou-se o comandante do movimento na região sul da França. Neste posto comandou a libertação de diversas cidades entre elas Toulouse.

Depois do fim da guerra Apolônio voltou ao Brasil com a família (a mulher Reneé que ele conheceu na França e o filho René -Louis) e viveu na clandestinidade antes e depois do golpe de 1964. Em 1967, juntamente com Mário Alves e Jacob Gorender rompeu com a linha reformista e recuada do PCB e fundou o PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) através do qual participou da luta armada contra o regime militar. Em 1970 foi preso em uma onda de prisões que alcançou também Mário Alves e Jacob Gorender. Todos foram barbaramente torturados e Mário Alves foi assassinado. Pouco tempo depois foi libertado em troca do resgate do Embaixador Alemão seqüestrado por guerrilheiros. Partiu para o exílio na França de onde só retornou com a Anistia em 1979 e logo passou a participar da organização fundação do PT, partido no qual permaneceu na direção até 1987 quando se afastou por problemas de saúde. Permaneceu, entretanto como referência política para outras gerações de militantes socialistas.

Apolônio recebeu dos governos Francês reconhecimento pela sua dedicação: foi condecorado com a Legião de Honra Francesa.Apolônio é, sem dúvida um herói das lutas dos trabalhadores e dos oprimidos não só dos países em que combateu mas do mundo todo. Mais do que isso é a prova de que conforme o próprio Apolônio dizia, “Vale a pena Sonhar”!

Camarada Apolônio, Presente!