quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

IMA entra em recesso de final de ano

O Instituto Mário Alves (IMA) gostaria de desejar a todos os seus associados e colaboradores um ano novo repleto de lutas e conquistas. Em 2013, movimentos importantes estão para se concretizar. Já em fase conclusiva, o Ponto de Cultura Memórias em Movimento aos poucos se aproxima da reconstituição das memórias do Movimento Estudantil gaúcho na luta contra a Ditadura Militar. Dessa forma, está se contribuindo para ressaltar os movimentos pela redemocratização do Brasil em um dos períodos mais decisivos da nossa história. 

Além disso, o instituto está lançando o projeto "Atividades de recuperação da memória histórica do  Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região (SEEB)", em comemoração pelos 80 anos de militância desta destacada organização sindical. A parceria realizada entre o IMA  e o SEEB é uma boa oportunidade para resgatar a história de luta do Sindicato; revelando à própria categoria, aos movimentos sociais e à comunidade em geral, algumas das passagens marcantes na conquista dos direitos trabalhistas.

Assumir a dianteira desses projetos não é tarefa fácil. Por isso, o instituto segue dependendo do apoio de cada um que faz parte do seu dia a dia. Só assim é possível manter vivo e atuante esse espaço de convergência das lutas sociais. Lembramos que até o dia 14 de janeiro de 2013 o instituto estará em recesso, mas, tão logo retornem as atividades, fica o convite para você deixar a sua mensalidade em dia. O horário de funcionamento é de segunda a sexta, das 13h às 19h. Faça contato pelo 53 3025-7241 ou envie um e-mail para imapelotas@yahoo.com.br. Em breve o nosso site estará no ar com muitas novidades. Por enquanto, acesse o blog www.imapelotas.blogspot.com.br e confira as últimas postagens.

Lembre-se: construir um novo mundo possível é responsabilidade de cada um de nós! Não deixe de fazer a sua parte! 

"Um sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade" (Raul Seixas)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

IMA realiza projeto que resgata a memória do Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região

Os momentos de luta da classe trabalhadora asseguraram, pela via direta, conquistas importantes nos planos político e econômico ao longo das últimas décadas. Infelizmente a lógica com a qual estrutura-se a sociedade, nos dias de hoje, pouco abre espaço para as memórias de entidades sindicais e movimentos classistas em geral.

Como não é de interesse das megacorporações e dos grupos de interesse que atuam nas estruturas de poder, o senso comum não possui as informações necessárias para compreender o grau de importância do sindicalismo combativo na retomada da democracia e nas diversas conquistas pontuais, que beneficiam não só um conjunto de trabalhadores, mas a sociedade como um todo.

Sendo assim, o Instituto Mário Alves (IMA) - em parceria com o Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região (SEEB) - está lançando o projeto "Atividades de recuperação da memória histórica do SEEB e de comemoração pelos 80 anos”. Trata-se de uma oportunidade de resgatar a história de luta desta importante organização sindical e revelar à própria categoria, aos movimentos sociais e à comunidade em geral as passagens marcantes deste sindicato na conquista de direitos trabalhistas.

Desta forma, acredita-se estar não só cumprindo uma importante tarefa de resgate histórico, mas, sobretudo, contribuindo com o debate sobre temas de interesse da categoria bancária, da classe trabalhadora em seu conjunto e da população em geral, pois serão oportunizados momentos de diálogo e reflexão ao longo da execução do projeto.

Entre as atividades previstas, estão a realização de um documentário destacando a trajetória do SEEB e a edição de uma revista, que reunirá parte expressiva dos materiais coletados na pesquisa. As produções ficarão à disposição da categoria, configurando-se em registros históricos de grande valia para a formação política dos bancários.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

IMA realiza jantar com bingo

O Instituto Mário Aves (IMA) convida associados, colaboradores e simpatizantes para janta de final de ano, a realizar-se na próxima sexta-feira (23), no Salão de Festas da Associação dos Servidores da Universidade Federal de Pelotas (ASUFPEL), rua XV de Novembro, 262.

No cardápio, Fricassê e alternativa vegetariana. Durante o jantar será lançado o site do IMA e ocorrerá um bingo, no qual os participantes estarão concorrendo a vários itens, como livros, camisetas, adesivos e cartazes relacionados às temáticas desenvolvidas pelo instituto. O encontro começa às 21h e o convite custa R$ 15,00. Os convites podem ser obtidos diretamente na sede do IMA, rua Andrade Neves, 821. Mais informações: 3025-7241.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Curso de Extensão Os Anos Rebeldes e os 20 anos do Fora Collor

O Curso de Extensão Os Anos Rebeldes e os 20 anos do Fora Collor, promovido pelo Ponto de Cultura Memórias em Movimento: Juventude, Cultura e Política (Instituto Mário Alves) e pelo Comitê pela Memória, Verdade e Justiça - Pelotas e Região, em parceria com o Colégio de Aplicação da UFRGS e o Laboratório de Ensino de História da UFPel, objetiva abordar um longo período da história contemporânea brasileira, através da exibição e discussão da minissérie Anos Rebeldes, exibida pela Rede Globo em 1992.

Assim, o curso oportuniza uma detalhada contextualização da política, da cultura, das relações e processos sociais que marcaram o período de ditadura civil-militar no Brasil (1964-85) e sua repercussão nos anos seguintes (1989-92), em uma leitura através das mídias. A atividade também objetiva analisar o papel da imprensa e da televisão ao longo de todo este processo.

Segundo o Prof. Nilo Pianna de Castro (Dr. em Ciência Política pela UFRGS e Prof. de História do Colégio de Aplicação da UFRGS), ministrante da atividade:

“A realização deste curso se justifica pela necessidade de oportunizar o aprofundamento de um tema significativo para a compreensão da história do Brasil, ou seja, as relações com a informação e os meios de comunicação no Brasil. O tema instiga polêmicas e debates, e traz à tona a necessidade de uma permanente observação e discussão sobre quem fornece informações e como ela é recebida e processada pelo cidadão. Além disso, é preciso analisar as permanências dos tempos de ditadura na sociedade brasileira que transitou do controle do Estado para o monopólio do mercado e, assim discutir sobre a relação história e memória coletiva que vem sendo construída (pelas mídias).”

Seguem os dados gerais do Curso:

Os Anos Rebeldes e os 20 anos do Fora Collor - Uma abordagem sobre a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985) através da exibição e discussão da minissérie “Anos Rebeldes”, exibida pela Rede Globo em 1992

Ministrante: Nilo André Piana de Castro (CAp/UFRGS)

Dias 08, 09 e 10 de novembro

Quinta-feira: das 14h às 18h e das 19h às 22h
Sexta-feira: das 14h às 18h e das 19h às 22h
Sábado: das 8h30 às 12h30 e das 14h  às 17h

Realização: Ponto de Cultura Memórias em Movimento: Juventude, Cultura e Política - Instituto Mário Alves

Organização: Colégio de Aplicação da UFRGS / Comitê pela Memória, Verdade e Justiça Pelotas e Região / Laboratório de Ensino de História – UFPel

Público Alvo: estudantes, professores, comunidade em geral

Inscrições gratuitas!

Carga horária:
40 horas (presencial e à distância/os participantes receberão materiais e tarefas que serão realizadas para completar a carga horária)

Será cobrado R$5,00 (Cinco reais) apenas para os participantes que desejarem o certificado, emitido pelo LEH-UFPel, de 40 horas.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

'Operação Condor vai receber enorme atenção', diz Paulo Sergio Pinheiro



Membro da Comissão Nacional da Verdade ressalta que colaboração dos países sul-americanos será fundamental para trabalho do grupo
 Na primeira semana de setembro, os membros da CNV (Comissão Nacional da Verdade), instalada em março deste ano para apurar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, com destaque para o período da ditadura militar (1964-1985), participaram de um seminário em Brasília para debater e conhecer melhor as experiências de outras comissões da verdade nas Américas.
Um dos sete membros nomeados para a CNV pela presidenta Dilma Rousseff, Paulo Sérgio Pinheiro disse, em entrevista ao Opera Mundi, que um dos focos das investigações da comissão será a Operação Condor, a articulação entre os aparelhos repressores de Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. “Na Operação Condor, o Brasil foi muito esperto, não deixou muitas marcas, não assinava acordos informais nesse sentido”, e por isso a cooperação com esses países será fundamental para conseguir informações, afirmou.
Doutor em Ciência Política pela Universidade de Paris, Pinheiro foi secretário de Estado de Direitos Humanos no governo Fernando Henrique Cardoso e integrou o grupo de trabalho nomeado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que preparou o projeto de lei da Comissão Nacional da Verdade.

O que a Comissão Nacional da Verdade no Brasil, que está iniciando seus trabalhos este ano, tem a aprender com outras experiências semelhantes na América Latina?
Primeiro, a nossa comissão é a primeira do século XXI, todas as anteriores foram no século XX. Em relação às mais antigas, como as de El Salvador, Guatemala e Argentina, muitas tecnologias e meios de difusão comuns atualmente, como internet, redes sociais, celular, telefone com câmera fotográfica, não existiam, então a nossa comissão fica em um outro patamar técnico.
É evidente que cada uma das 40 comissões de verdade que já existiram no mundo, desde os anos 1990, tem características próprias. O que une todas elas é essa questão do direito à memória e à construção de uma verdade que os regimes autoritários negaram ou se recusaram a enfrentar. Entre as experiências que nós debatemos nesse seminário, a de El Salvador e da Guatemala são muito específicas, porque elas foram realizadas por iniciativa da comunidade internacional e no pós-conflito, depois de guerras civis muito importantes. A do Peru também, porque era quase uma guerra civil entre o Sendero Luminoso e o governo ditatorial do [presidente Alberto] Fujimori. 
Finalmente, a [comissão da verdade] mais próxima de nós é a do Paraguai, porque ela ocorre também depois de um longo período de ditadura, quase o dobro da nossa ditadura militar. Das experiências que nós debatemos, não só por ser mais próxima em termos temporais, mas também em termos do conteúdo, a do Paraguai é a mais próxima, também a do Uruguai guarda muitos pontos de contato.
Nesse seminário, se discutiu mais sobre essas quatro comissões, Argentina, Guatemala, El Salvador e Peru, mas tratamos de outras também, como a experiência da África do Sul e a do Chile. Um ponto importante que queremos investigar é a colaboração entre os aparelhos repressivos de Brasil, Uruguai, Argentina e Chile para extermínio e prisão de militantes, a chamada Operação Condor.

O que vocês pretendem aproveitar, dessas experiências, no trabalho da Comissão da Verdade no Brasil?
Por exemplo, experiências de audiências públicas, a confidencialidade nas investigações criminais, a importância das recomendações depois da publicação do relatório da comissão, a articulação com a universidade e com os diversos grupos da sociedade civil. Tudo isso foi muito interessante, especialmente porque as entidades que patrocinaram o seminário com o Ministério das Relações Exteriores, o Centro Internacional para Justiça de Transição, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos e o Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos do Mercosul também não tratam só desses países que estavam mais presentes, mas do conjunto das experiências de comissões da verdade no continente.

Além de Uruguai e Paraguai, as comissões da verdade na Argentina e no Chile também não se aproximam do trabalho que deve ser feito pela comissão brasileira, pois também foram criadas após ditaduras militares?
A da Argentina foi a primeira de todas, é a mãe das comissões da verdade. Na apuração e na publicação dos resultados, ela se aproxima muito. O que não se aproxima de nós é o momento atual chileno e argentino, onde está havendo uma responsabilização dos autores de violações dos direitos humanos. A nossa comissão tem o poder de documentar as autorias e as circunstâncias das violações, mas nós não somos um tribunal, aliás nesses países também não era um tribunal. O que ocorreu no Chile e na Argentina [em relação aos julgamentos] foi depois que os trabalhos das comissões terminaram. 
Tanto no Chile quanto na Argentina houve maior resistência inicial dos militares, que conseguiram garantir, em um primeiro momento, que os trabalhos das Comissões fossem limitados (a Comissão de 1991 no Chile tinha poderes muito limitados, e na Argentina os governos civis decretaram leis de anistia aos militares). No entanto, depois esses entraves foram revogados e os trabalhos de investigação, julgamento e punição dos agentes do Estado foram retomados e estão, ainda hoje, em andamento, certo?
Esses desenvolvimentos não estavam previstos nos relatórios [das comissões], porque os relatórios abrem um procresso dinâmico. Mas nós ainda nem fizemos o relatório, não me cabe fazer futurologia com o que vai acontecer depois. No momento, só estou preocupado com como nós vamos terminar o trabalho em 21 meses, porque três meses já se passaram.

E em relação à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), no julgamento de 2010, de manter a constitucionalidade da Lei de Anistia? Não interfere?
Sim, completamente. Primeiro, porque nós não debatemos isso. Em segundo lugar, isso não ajuda nem atrapalha, porque a comissão não está sujeita às mesmas restrições jurisdicionais que o sistema judicial brasileiro está. Nós já temos poderes suficientes para trabalhar. O primeiro é que a comissão tem o poder de convocar qualquer cidadão ou cidadã brasileira para depor, se não vem, nós denunciamos ao Ministério Público Federal para abertura de um inquérito.

Em segundo lugar, nós temos acesso a qualquer documento que nós julgarmos relevante para nós. Para dar um exemplo, no Ministério das Relações Exteriores nós estamos tendo acesso a todos os documentos secretos, no Itamaraty não se queimou nenhum documento, há quatro toneladas de documentos que podemos examinar.
Em terceiro lugar, nós temos o poder de designar a autoria dos crimes que estão elencados na lei, por exemplo detenção arbitrária, desaparecimento forçado, tortura, aos agentes do Estado responsáveis por esse atos. Se nós vamos ou não nomear [a autoria de cada crime a uma determinada pessoa], esse é outro problema, mas nós temos mandato para investigar e concluir sobre a autoria desses crimes, o que hoje é uma coisa muito limitada no sistema judicial brasileiro, tem havido algumas ações, mas ainda é uma possibilidade muito limitada.

Essa questão de nomear ou não os crimes é sempre uma decisão para todas as comissões da verdade. Nós ainda não decidimos se vamos indicar os nomes, é algo que ainda será definido. A comissão do Chile, por exemplo, até hoje não publicou os nomes, várias comissões foram proibidas por seus mandatos de publicarem os nomes, o que não é o nosso caso. Essa é uma decisão que só iremos chegar em 2014, ainda está em aberto. Só quero frisar que nós não vamos julgar nem fazer uma denúncia ao Ministério Público, não vamos absolver nem condenar ninguém. Por isso que o julgamento do STF sobre a Lei da Anistia não nos diz respeito.

Mas o senhor vê a possibilidade de as informações levantadas pela CNV serem usadas em ações na Justiça contra agentes da ditadura, embora esse não seja o objetivo da comissão?
Isso é pura especulação, atualmente não me interessa o que vão fazer com as informações que nós vamos levantar, isso é problema para o sistema judicial, para o Ministério Público, não tenho nada a ver com isso. Eu pessoalmente acho que esses julgamento que já estão ocorrendo são importantes, a comissão acompanha esses casos com interesse, mas isso é uma caminhada paralela, não é algo que está articulado com a CNV.

O senhor mencionou antes a Operação Condor, a articulação entre os governos militares para a repressão. Qual a importância dessa investigação para o trabalho da CNV, isso será feito em cooperação com esses países?
Na Operação Condor, o Brasil foi muito esperto, não deixou muitas marcas, não assinava acordos informais nesse sentido. Há poucos dias morreu uma vítima da Operação Condor no Brasil, o Universindo Díaz, uruguaio que foi sequestrado em conluio entre os regimes do Uruguai e do Brasil. A Operação Condor vai receber uma enorme atenção, da mesma maneira a participação do Brasil em redes de espionagem sobre os exilados brasileiros e sobre os que retornavam ao país. Essa dimensão internacional vai receber um especial carinho da CNV. Não vou comentar em detalhes o que estamos fazendo, mas desde o segundo mês já estamos dedicados a levantar informações e documentos sobre isso.

Como nesses casos a ditadura brasileira não deixou muitos rastros e documentos, a cooperação para conseguir informações com os governos desses países é importante?
Certamente, todas essas chancelarias estão sendo contatadas e tem demonstrado a melhor boa vontade e cooperação com a CNV, especificamente Paraguai, Uruguai, Chile e Argentina. Não temos dito nenhuma dificuldade com isso, pois todos esses países também passaram pelas suas comissões da verdade e têm arquivos muito bem organizados, onde as informações sobre os brasileiros estão muito presentes. Além disso, há outros países, que não vou nomear, que também têm informações sobre essa colaboração entre serviços de inteligência, dentro continente e também com alguns outros países de fora. 
Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Outro 11 de Setembro: IMA e comitê Memória, Verdade e Justiça homenageiam Chile


Memórias de um Chile que elegeu o primeiro marxista pelas urnas diretas na América Latina em plena Guerra Fria.:11 de Setembro tem Cine-Debate


Hoje (13), O IMA - em parceria com o Comitê Memória, Verdade e Justiça de Pelotas e região - promove um Cine-debate. O objetivo é homenagear Salvador Allende e tod@s @s companheir@s que resistiram ao Golpe Militar, no Chile, em 11 de setembro de 1973. 

O filme apresentado será Dawson Ilha10: a verdade sobre a ilha de Pinochet. O longa metragem resulta de uma parceria entre Brasil, Chile e Venezuela. Ao retratar o golpe de Estado, liderado pelo general Augusto Pinochet, o filme revela os abusos cometidos na ilha Dawson. No local, - transformado em campo de concentração - os presos políticos eram submetidos a torturas físicas e trabalho forçado.

A atividade começa às 18h45, no Centro de Integração do Mercosul, que fica localizado na rua Andrade Neves, 1529. 

¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!



Último discurso de Salvador Allende 



 Seguramente ésta será la última oportunidad en que pueda dirigirme a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de Radio Postales y Radio Corporación. Mis palabras no tienen amargura sino decepción Que sean ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron: soldados de Chile, comandantes en jefe titulares, el almirante Merino, que se ha autodesignado comandante de la Armada, más el señor Mendoza, general rastrero que sólo ayer manifestara su fidelidad y lealtad al Gobierno, y que también se ha autodenominado Director General de carabineros. Ante estos hechos sólo me cabe decir a los trabajadores: ¡Yo no voy a renunciar! Colocado en un tránsito histórico, pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que hemos entregado a la conciencia digna de miles y miles de chilenos, no podrá ser segada definitivamente. Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos.

Trabajadores de mi Patria: quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra en que respetaría la Constitución y la ley, y así lo hizo. En este momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes, quiero que aprovechen la lección: el capital foráneo, el imperialismo, unidos a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que les enseñara el general Schneider y reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas esperando con mano ajena reconquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios.

Me dirijo, sobre todo, a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros, a la abuela que trabajó más, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños. Me dirijo a los profesionales de la Patria, a los profesionales patriotas que siguieron trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clases para defender también las ventajas de una sociedad capitalista de unos pocos. 
Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron y entregaron su alegría y su espíritu de lucha. Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, a aquellos que serán perseguidos, porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente; en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando las vías férreas, destruyendo lo oleoductos y los gaseoductos, frente al silencio de quienes tenían la obligación de proceder. Estaban comprometidos. La historia los juzgará.

Seguramente Radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz ya no llegará a ustedes. No importa. La seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes. Por lo menos mi recuerdo será el de un hombre digno que fue leal con la Patria.

El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede humillarse. 
Trabajadores de mi Patria, tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo en el que la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor.

¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!

Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano, tengo la certeza de que, por lo menos, será una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Lista do Arquivo Nacional: ‘Nome: Mário Alves; situação atual: morto’



Documento do Centro de Inteligência da Aeronáutica informa fim de desaparecido

Lúcia Caldas Vieira segura um dos poucos retratos do pai que conseguiu guardar


Um pesadelo frequente da dona de casa Lúcia Caldas Vieira, de 64 anos, é com uma imensa fogueira. Ano após ano, desde o dia 16 de janeiro de 1970, a cena é a mesma em sua mente: ela tenta salvar das chamas os documentos, fotos e desenhos que foi obrigada a queimar no dia em que o pai desapareceu. Lúcia é filha do desaparecido político Mário Alves, jornalista e secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Apesar de quatro testemunhas terem presenciado a tortura de Mário no DOI-Codi do Rio, dessa data até hoje, 42 anos depois, o Exército nunca assumiu a prisão do militante.

Em uma lista produzida pelo Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa) em 19 de janeiro de 1971 está a primeira informação oficial da ditadura militar brasileira sobre o jornalista desde o seu desaparecimento. O documento, localizado pelo GLOBO no Arquivo Nacional, é uma listagem com nomes de militantes, seus codinomes e suas organizações. Na página 143 estão as informações sobre o militante do PCBR desaparecido um ano antes: na primeira coluna, o codinome pelo qual era conhecido: “Vila”, na última, seu nome completo: Mário Alves de Souza Vieira; no meio, o campo “situação atual” indica: morto.

— Esse documento é mais um dado que mostra que eles não tinham nenhum pudor de fazer uma lista com os nomes dos mortos. Se até hoje eles negam a prisão, como é que o dão como morto? — desabafou a filha.

Lista foi distribuída para outros órgãos

O documento é hoje parte do acervo do Arquivo Nacional colocado para consulta pública. A listagem serviu como fonte de informação para o Serviço Nacional de Informações (SNI), o Centro de Informações do Exército (CEI) e o Centro de Informações da Marinha (Cenimar), e, conforme descrição, tem como assunto “militantes, aliados e simpatizantes das organizações subversivas”.

Mário Alves era baiano e tinha 47 anos quando saiu da casa onde vivia com a mulher, Dilma Borges, na Abolição, subúrbio do Rio. Ele estava acostumado tanto a ser perseguido quanto à vida clandestina desde 1942, quando entrou para o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Preso meses depois do golpe de 1964, foi libertado um ano depois, mas teve que voltar à clandestinidade porque foi condenado à revelia a mais sete anos de prisão. Em 1968, ajudou a fundar o PCBR para seguir o caminho da luta armada.
Em 1970, ao ser novamente preso, Mário foi levado para o DOI-Codi na Rua Barão de Mesquita e torturado durante a noite do dia 16 e a madrugada do dia seguinte. Os presos Raimundo José Barros Teixeira Mendes, José Carlos Brandão Monteiro, Manoel João da Silva e Antônio Carlos de Carvalho ouviram o sofrimento do militante do PCBR ao longo do interrogatório.

No livro “Desaparecidos políticos”, Mendes revelou que presenciou por meio de uma abertura no alto da parede da cela a violência na sala ao lado: “Depois de violentamente espancado... torturado com choques elétricos, no pau de arara, afogamentos, Mário Alves manteve a posição de nada responder... então introduziram um cassetete de madeira com estrias, que provocou a perfuração de seus intestinos e a hemorragia que determinou a sua morte.”

Dilma, mulher de Alves, e o advogado Modesto da Silveira fizeram inúmeros esforços para localizar o militante. Foram enviados pedidos de habeas corpus para todas as Forças na tentativa de descobrir o paradeiro do guerrilheiro, mas nenhum órgão da repressão assumiu a prisão. Devido à busca, Dilma também chegou a ser interrogada.

— Eu e minha mãe ficamos meses separadas. Ela tinha medo de que nos pegassem, e alguém precisava ficar para contar a história — lembrou Lúcia.
As notícias só vieram depois, quando as testemunhas deixaram a prisão e contaram o que presenciaram. Eles apontam entre os torturadores de Mário: o tenente-paraquedista Magalhães, os tenentes Armando Avólio e Luiz Mário Correia Lima e o agente civil Luis Timotéo de Lima. O último também é citado por um estudo da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência como um dos agentes que trabalharam na Casa da Morte em Petrópolis.

Em 1979, Dilma e Lúcia entraram na Justiça contra a União, exigindo a responsabilidade pela prisão, morte e ocultação de cadáver do jornalista com base nos testemunhos. A sentença, favorável à família em 1981, fez de Mário Alves o primeiro caso de desaparecido político em que a União foi responsabilizada.
— Nunca vi o nome dele em nenhum relatório. Esse documento me leva a acreditar que, ao contrário do que dizem as Forças Armadas, há, sim, documentos, e espero que a Comissão da Verdade possa auxiliar nisso — afirmou Ana Maria Müller, advogada do caso.

*Por CAMILA MAIA / Agência O Globo

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

I Seminário Internacional e I Fórum de Educação do Campo da Região Sul do RS acontece em Pelotas


De 12 a 14 de Novembro, campo e cidade estarão em busca de caminhos comuns

O “I Seminário Internacional e I Fórum de Educação do Campo da Região Sul do RS: campo e cidade em busca de caminhos comuns” é uma proposição das Entidades Organizadoras que, entre os seus objetivos, visam o fortalecimento teórico/prático das ações de sistematização e organização da participação em práticas educativas, desenvolvidas junto às classes trabalhadoras, enraizadas na perspectiva da Educação Popular e da Educação do Campo.

Compreende-se que o amadurecimento do trabalho comprometido, com a emancipação das classes trabalhadoras, encontra-se desafiado a aprofundar as estratégias de participação, tanto pedagógicas quanto políticas. O que incide na reorganização teórico/prática, frente à hegemonia do capital, que coloca o ser humano em uma condição cada vez mais desumanizante, fragmentada e alienada.
Considerando as contradições vivenciadas atualmente na realidade educativa da América Latina, sob os condicionamentos das políticas de globalização, o objetivo deste evento também se concretiza na consolidação de um espaço efetivamente coletivo e itinerante, capaz de ampliar a discussão das experiências de trabalho, nos diferentes espaços de educação formal e não formal, no campo e na cidade.

A articulação de todas as Instituições Públicas de Ensino Superior e de diferentes organizações dos Movimentos Sociais, no Estado Rio Grande do Sul, ratifica a presença de iniciativas comprometidas com a investigação dos caminhos a serem assumidos, como meios de resistência, exercício de contra-hegemonia e transformação dos limites impostos pela lógica estrutural da sociedade vigente. E, ainda, anuncia a necessidade de encontrarmos um sentido coletivo para as ações cotidianas, em termos de fortalecimento dos processos educativos emancipadores.

Saiba mais AQUI.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Comitê pela Verdade, Memória e Justiça é criado em Pelotas






O IMA é um dos articuladores do Comitê que tem seu lançamento amanhã (5) e convida a todos aqueles que não se conformam com  as graves violações aos direitos humanos 

  Nos últimos meses temos acompanhado um aumento nas discussões e nas mobilizações sociais em torno da apuração das graves violações aos direitos humanos cometidas durante a ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985), especialmente a partir da criação da Comissão Nacional da Verdade, em dezembro de 2011.

Parte destas discussões tem sido fomentadas a partir da criação de Comitês locais, que visam fortalecer as investigações da Comissão da Verdade e ampliar o debate público em torno do tema. Há comitês sendo criados em diferentes estados, e algumas entidades e centrais sindicais, como a CUT e a CONLUTAS, já manifestaram interesse em participar deste movimento.
              Neste sentido, Pelotas entra na rota da criação de   um Comitê da Verdade, a exemplo do que ocorre em outros municípios do Estado, como Porto Alegre e Santa Maria.

Amanhã (5), o Comitê tem o seu lançamento, na na sede da ASUFPEL (XV de novembro, 262), às 19 horas. Haverá mesa-redonda sobre a Comissão Nacional da Verdade, com a participação de representantes do Comitê Carlos de Ré (Porto Alegre), Representantes do Comitê Santamariense pelo Direito à Memória e à Verdade e Prof. Dr. Juarez Fuão (FURG), além de uma exibição do  documentário Vala Comum (1994), dirigido por João Godoy.

Antes, às 16 horas, haverá reunião no IMA com os comitês já constituídos e representantes de municípios que se fizerem presentes para pensarmos em programações para a região.

Acesse o blog do Comitê AQUI.


sexta-feira, 29 de junho de 2012

200 Anos Para Quem? Um passado escravo que ainda querem enforcar


Mesa de abertura contou com historiador, socióloga e assentado. 
Foto: Maria Bonita Comunicação


O IMA é uma das instituições que está a frente desta organização que busca mostrar, discutir e pensar uma Pelotas mais real
Na noite da última quinta (26), aconteceu o primeiro debate da programação  “Pelotas: 200 Anos para quem?”. Trazendo à tona o tema da Formação da Cidade de Pelotas: Escravidão e Concentração Fundiária, a noite teve  a paticipação do historiador Caiuá Al-Alam, da professora de Sociologia Carla Ávila e do agricultor assentado Telmo Moreira. O encontro teve uma grande participação popular.


Uma cidade prisioneira

A elite conservadora tinha medo da ausência do silêncio dos excluídos 

O historiador Cauiá explanou o cosmopolismo popular que a cidade acarreta em sua história. Uma cidade marcada por fortes enforcamentos e prisões, mas com grande movimentação social, obtendo um protagonismo popular mesmo abaixo de repressões e dura  escravidão. De acordo com o historiador, grupos pequenos tiveram uma conjunção de organização que assustou a elite política. Militarismo e ausência de paz fizeram parte de uma história sangrenta da cidade: Um passado vergonhoso de enforcamento e chibata.

O debate chamou a atenção para a importância de se ter uma história contada de forma mais real, diferente da maneira como é explanada pela elite: “Nossa historia é contada por senhores de escravos que desconheceram o real significado e olhar dos excluidos,” declarou.

Pelotas precisa enegrecer sua essência que já é negra

A professora de Sociologia Carla Ávila, militante do Movimento Negro falou sobre um olhar resistente à escravidão que pode ser encontrado em grupos organizados na cultura. Neste caso, um exemplo seria o Grupo de Dança Afro Odara. O hip hop e outras manifestações artisticas ainda permanecem com fortes criticas e resistências sociais, segundo a pesquisadora. As religiões de matriz africana também são um ponto importante de organização politica e retomam a uma ancestralidade africana, muito presente em Pelotas. E que deve permanecer viva e necessariamente valorizada.
A luta pela terra continua

O agricultor assentado Telmo Moreira já participou do MST até o ano passado e atualmente é morador do Assentamento Conquista da Liberdade em Piratini. Ele relatou o passado de povoamento das terras na região de sul, com grande mão-de-obra barata. Para Telmo, o governo nacional possui um desvio ideológico na discussão e nas melhorias dos assuntos relacionados à reforma agrária.


As programações seguem

O Fórum De Lutas Sociais convida a todos a se somarem nestas atividades para a construção de debates e encaminhamentos que só serão possíveis com a movimentação popular. A próxima mesa conta com o tema Formação da Classe Operária em Pelotas e o Movimento Sindical com a participação do Presidente do Sindicato da Alimentação Lair de Mattos e da prof. de História Beatriz Loner.

ACOMPANHE A PROGRAMAÇÃO COMPLETA AQUI.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Pelotas 200 Anos Para Quem?

O Instituto Mário Alves é uma das instituições que está a frente desta organização que busca mostrar, discutir e pensar uma Pelotas mais real.



A primeira atividade ocorrerá hoje (terça - 26), às 19h, na Câmara Municipal Vereadores. O IMA foi um dos grandes defensores e principal articulador desta programação (seminário) dentro do comitê  e conta com a participação de todos neste importante momento.

As "comemorações" dos outros 200 anos proposta pelo Fórum contempla, ainda, a realização de assembléias populares e outras atividades (reuniões) descentralizadas, além de mostras artísticas e um Seminário. 

Confira a programação completa:




segunda-feira, 18 de junho de 2012

Casa Cheia para receber Battisti em Pelotas








O ativista e escritor italiano Battisti falou a um grande público que esteve presente na Câmara Municipal na última quinta (14)

Battisti palestrou e autografou seu livro "Ao pé do muro" e falou sobre suas experiências na militância, as prisões, o Brasil sendo contado por presos, a ausência de debate na Itália, a representação apelativa midiática construindo ou desconstruindo representações e tantas outras histórias.

O IMA agradece a participação de todos que se fizeram presentes em um encontro que motivou o debate e a reflexão e acima de tudo, abriu espaço para temas e vozes que, claramente, estão de fora das pautas políticas e socias.

Os colares e as contas: Poemas Políticos de Marcelo Mário de Melo

Colaboração do Jornalista Aleksander Aguilar



 MARCELO MÁRIO DE MELO define-se como “plebeu, republicano, democrata popular, cidadão de esquerda, socialista, pluralista e seguidor do Detran – sempre à esquerda, não ultrapasse pela direita”.

Marcelo dedica o seu livro aos que lutam pela abertura dos arquivos da ditadura e pela afirmação da verdade histórica; aos se mobilizam contra a fome, o raquitismo político e a subnutrição cultural; aos jovens que se rebelam contra os desníveis de renda e de mando; aos que se mantém socialistas e de esquerda depois dos 60 anos; aos proletários de todo o mundo.

Nominalmente são destacados na dedicatória: Jacob Gorender, Dom Tomaz Balduíno, o Monge Marcelo Barros e Bruno Maranhão, militante do PT e do Movimento de Libertação dos Trabalhadores Sem Terra – MLST.

sábado, 16 de junho de 2012

Fuga acabou, mas personagem ainda vive

O Instituto Mário Alves agradece a participação de todos que apoiaram e se fizeram presentes no debate que foi realizado no último dia 14.

Matéria escrita pelo Jornalista Colaborador do IMA, Carlos Cogoy, no Jornal Diário da Manhã.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Alma estilhaçada num latifúndio de bambus

Matéria escrita por Carlos Cogoy, para o Jornal Diário da Manhã.


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Ao pé do Muro: Cesare Battisti debate em Pelotas




Ex-guerrilheiro italiano, condenado à prisão perpétua pela Justiça de Milão, ativo na Itália no fim dos anos 70 – os chamados anos de chumbo – período marcado pela violência política; vivências na França e no Brasil, liberdades e permanencias. Estas são apenas partes da história de Cesare Battisti, convidado do Instituto Mário Alves para estar presente em Pelotas no próximo dia 14/06.

A atividade contará com o lançamento do seu mais recente livro "Ao pé do Muro" que conta a história de Augusto, foragido internacional que vem para o Brasil em busca de proteção. As belezas e tristezas de um país tão intenso e colorido, emotivo e sofrido, são filtradas pelo olhar do protagonista, que observa o novo mundo tanto do lado de dentro quanto de fora dos muros da prisão. 

O debate também contará com a presença do Jornalista Edu Jacques, que em sua pesquisa acadêmica analisou o discurso proferido pelo jornal 'La Repubblica' sobre o episódio que foi o ápice da crise entre os dois países, a concessão de refúgio ao Battisti pelo então ministro da justiça Tarso Genro.

14 de Junho, às 19h, na Câmara Municipal de Pelotas.

Mais informações no video abaixo, com a participação do sociólogo Lauro Borges, um dos representantes do IMA e Coordenador do Ponto de Cultura Memórias em Movimento:


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Memórias de uma guerra suja



OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA - Um livro para não ficar fechado nem esquecido. Um tremendo safanão naqueles que acham que a Comissão da Verdade é inútil e o passado, passou.

"Memórias de uma guerra suja" é a confissão de um carrasco a serviço da repressão política - Cláudio Guerra, ex-delegado do Dops - a dois jornalistas experimentados, Marcelo Netto e Rogério Medeiros. Um documento cuja veracidade ainda precisa ser comprovada. Porém, mesmo que seja inventado no todo ou em parte, é uma pauta minuciosa, mapa da casa de horrores para ser seguido, verificado e chorado.
Trata-se de um dos relatórios mais tenebrosos já aparecidos sobre o período final do regime militar, quando a linha dura manifestava tanto ódio à distensão prometida pelo general Geisel quanto àqueles que pegaram em armas contra o regime militar.

Deste livro sai um Brasil irreconhecível que só se reconhecerá quando for devidamente apurado o que está contado com tantos detalhes neste livro terrível. É possível que a prioridade da Comissão da Verdade seja desvendar o que aconteceu com os desaparecidos. Mas os corpos incinerados por Cláudio Guerra numa usina de açúcar em Campos, Estado do Rio, jamais serão resgatados. Cabe a nós e a todos os buscadores da verdade o resgate de suas histórias.




quarta-feira, 23 de maio de 2012

IMA traz debate com Cesare Battisti em Pelotas




No próximo dia 14 de junho, às 19h na Câmara Municipal, Cesare Battisti participará de uma programação organizada pelo Instituto Mário Alves. Em breve, mais informações.


Confira a matéria escrita pelo jornalista Carlos Cogoy sobre o livro "Minha fuga sem fim", publicada no Diário da Manhã, de Pelotas.

Foto: Divulgação

Resistindo ao fascismo, stalinismo e liberais

 No último dia de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não conceder extradição ao ex-ativista de esquerda italiano Cesare Battisti. De imediato, vozes conservadoras criticaram a decisão. No tom reacionário, alegações de que se tratava de um “terrorista, assassino, monstro sanguinário”. Mas, a pretensa ameaça aos que se dão bem na injusta realidade brasileira, porém, não se encaixa no perfil pacato do autor de quase duas dezenas de livros. A explicação é simples. Ofensiva da grande mídia, transformou Battisti no inimigo necessário e estratégico, simbolizando a queda de uma era, os escombros da utopia. Essa imagem foi tecida com base em sucessivas safadezas jurídicas. Num processo à revelia, sem provas, ele foi julgado à prisão perpétua na Itália. Como acusação, quatro assassinatos na ebulição política dos anos setenta. Denunciado por ex-companheiros de militância política que, com base nos estatuto dos arrependidos, atenuavam pena ou até conquistavam a liberdade, Battisti já exilado no México, foi o “bode expiatório” para satisfazer fascistas e stalinistas – o PCI à época rejeitava a juventude que renovava a esquerda, tirando a poeira do dogmatismo. Na França, anos noventa, mulher, filhas, atividades como zelador e escritor. Como autor de romances policiais, juridicamente acolhido na era Mitterrand, Battisti encontrara equilíbrio para refazer planos. Como autor, estava conquistando mais leitores, consolidando-se na literatura. Porém, em 2004, no governo Chirac, o inesperado. O poder jurídico francês cedera à pressão política. O judiciário curva-se a interesses dos governos francês e italiano.  Battisti prestes a ser extraditado, trata de fugir pelos subterrâneos de Paris. Inicia-se caçada, numa série de aventuras, diferentes países, personagens, receios e solidão. Nos romances publicados no Brasil, ele reitera a pergunta: “Por que eu?”. Para conhecer a trajetória de Battisti que, em junho estará em Pelotas – promoção do Instituto Mário Alves (IMA) - leitura essencial é o excelente romance autobiográfico “Minha fuga sem fim” (285 páginas) – publicado pela Martins Fontes em 2007.


            INOCENTE? – O prefácio é do filósofo e humanista Bernard-Henri Lévy. Em “Por que o defendo”, Lévy que está longe de ser identificado como pensador de esquerda, evoca a necessidade de justiça. Trecho: “E a primeira dessas precauções não seria ouvir, apenas ouvir, primeiro através deste livro, depois no recinto de um tribunal ante o qual ele comparecesse em pessoa, as palavras daquele que, diante dessas terríveis acusações, não cessa de repetir: ‘pois então, aí é que está... eu fui membro de um grupo armado... recorri à violência... mas acontece que, mat ar, matar mesmo com as minhas próprias mãos, isso não, isso eu nunca fiz...’?”.

           

VIDA NEGOCIADA – Após catorze anos na França, guinada jurídica em 2004. O governo Chirac, que já havia sido alvo de atentado em 2002, endurecera com os refugiados. E a 10 de fevereiro de 2004, Battisti é preso no prédio que residia e trabalhava como zelador. Houve comoção nacional, grupos de apoio, manifestações públicas e a conquista da liberdade a 3 de março. Mas a 30 de junho ainda haveria o veredicto da Câmara de Instrução da Corte de Apelação de Paris. E o resultado foi a extradição. Em capítulos como “A captura”, “A prisão”, “O cerco” e “A evasão”, que integram “Será assim que os homens julgam?” – primeira parte do livro -, o autor revela seu talento literário. Ele narra sobre os vizinhos do prédio que vivia, a solidão, medo e personagens do cotidiano na prisão, o poder da mídia, a solidariedade de amigos e anônimos, a postura dos magistrados e promotores nos tribunais, a euforia com a liberdade, a perseguição e fuga. Sua vida havia sido negociada. Alguns dias após o veredicto na França pela extradição, jornal italiano revelava o teor do acordo com a Itália. “Segundo o redator, em troca de uma opinião favorável da Corte, a Itália estava assinando um acordo para a linha Lyon-Turim do trem-bala, prometia uma participação na compra dos Airbus e um ‘sim’ ao novo Tratado Constitucional Europeu”, escreve Battisti.


Contraponto de Battisti aos quatro assassinatos

            A 9 de maio de 1978 quando o primeiro-ministro italiano Aldo Moro, foi assassinado pelas Brigadas Vermelhas, Cesare Battisti chocou-se e abdicou da luta armada como ação política. Ainda integrante dos Proletários Armados para o Comunismo (PAC) – grupo idealizado por Pietro Mutti em 1976 e dissolvido em 1979 -, que se contrapunha a prática “centralista” e stalinista do Partido Comunista Italiano (PCI), Battisti relata que o grupo havia deliberado “sim à defesa armada, mas não aos atentados que acarretassem morte humana”. No romance autobiográfico, conta que nem as armas que dispunham, estavam em condições: “Num primeiro momento, os membros dos PAC foram os queridinhos das mamães dos bairros mais carentes. Quanto às armas, permaneciam nos esconderijos. Só as pegávamos quando nos provocavam ao extremo. Duas em cada três não funcionavam, era uma sorte os tiras não desconfiarem”.

            PCI – Para contextualizar o ambiente ideológico dos anos setenta, Battisti menciona o PCI como retrógrado, autoritário e em regozijo com as migalhas do poder – não muito diferente do que se observa no Brasil. Ao invés do pragmático Stálin (1878/1953), a jovem esquerda italiana estava empolgada com as ideias de Marcuse, Sartre, Foucault, Deleuze, Gattari, Baudrillard e Horkheimer – “galera” que demorou a ser digerida por aqui. Os PAC, portanto, não obedeciam ao formato “partido” ou centralista. Ao contrário, espraiavam-se através de núcleos. Tal dinâmica, no futuro, turvaria a investigação acerca da autoria de quatro homicídios.

            ACUSAÇÕES – Como reação à morte de Aldo Moro, a Cia. participou diretamente da operação para desmantelar os grupos de esquerda. Houve inúmeros interrogatórios, prisões, torturas e delações. Em junho de 78, é assassinado o guarda penitenciário Antonio Santoro. Battisti deixa os PAC ao final daquele ano. Meses após, em 16 de fevereiro de 79 é morto o joalheiro Pierluggi Torregiani em Milão. No mesmo dia, em Caltana Santa Maria de Sala no Vêneto, é morto o açougueiro Lino Sabbadin – integrante do partido neofascista MSI. O quarto homicídio, reivindicado pelos PAC, é do policial Andrea Campagna e ocorreu a 19 de abril de 1979 em Milão.

            PRISÃO de Battisti - quando já havia deixado os PAC, acontece em junho de 79. Clandestino, vivia num apartamento em Milão. Durante interrogatórios e investigações, jamais foi lhe atribuída autoria de alguns dos quatro assassinatos. Ele estava preso porque havia pertencido ao grupo armado. Em 1981, assustado com a violência da repressão que, tanto destruía emocionalmente os presos quanto provocava sumiços de detentos, Battisti trata de planejar a fuga. Com ajuda de Pietro Mutti e seu novo grupo COLP, consegue evadir e segue para Paris. Após um ano como clandestino, ruma para o México, onde permaneceu até o fim dos anos oitenta.

            DEFESA – Em 1982 acontece a prisão de Mutti e integrantes dos COLP. Interrogados sobre os assassinatos, atribuem a Battisti a autoria. Consta que, antes de delação, tratava-se de estratégia para ganhar tempo, já que Battisti estava foragido e no exterior. Porém, diante da iminência de prisão perpétua, Mutti joga a responsabilidade para Battisti. Com isso, baseando-se em recursos como o estatuto dos arrependidos e “dissociados”, após nove anos ele consegue a liberdade. À revelia e sem provas, Battisti é condenado à prisão perpétua na Itália. Ele defende-se, alegando a “contumácia” – não estava ciente do processo. Além disso, indica inúmeras contradições n as acusações. No caso Santoro, Mutti à época é que estava sendo acusado pelos departamentos de polícia de Milão e carabineiros de Udine. Acusando Battisti, safou-se, tornando-se apenas “cúmplice”. Em relação às mortes do joalheiro Torregiani e do açougueiro Sabbadin, Battisti menciona que desconhece a localização da aldeia deste no Vêneto. O autor confesso foi Giacomin – chefe da ala vêneta dos PAC. Já a morte do joalheiro foi autoria do comando que reunia Massala, Fatone, Grimaldi e Memeo. Coube a Battisti, por conta de Mutti, uma acusação de cumplicidade. Já o policial Campagna em 1979, que teria participado de torturas aos acusados do caso Torregiani, conforme testemunhas, foi morto por “louro” barbudo de 1,90m, perfil que destoa do moreno Battisti de 1,70m. Além disso, familiares das vítimas foram coagidos a identificar Battisti como autor. Balísticas mostraram que não foram usadas as armas que estavam no apartamento de Battisti em Milã o. Ele, bem antes das três últimas mortes, já havia recusado a luta armada e saído dos PAC. Em relação a cartas subscritas, assinadas por Battisti, exames grafológicos comprovaram a autenticidade da identificação mas não do conteúdo. O material foi forjado para mostrar que ele estaria ciente da acusação. No livro, Battisti cita que era praxe à época, deixar papéis assinados, visando posterior necessidade da defesa. Mas os papéis, assinados no mesmo dia, conforme a grafologia, estavam em branco. Como estratégia da acusação, foram sendo toscamente preenchidos para assegurar de que ele estaria ciente dos processos.


Diário de um cão errante

            O romance “Minha fuga sem fim” apresenta prefácio à edição brasileira, e está dividido em duas partes: “Será assim que os homens julgam?”; “Diário de um cão errante”. O posfácio é autoria da escritora Fred Vargas.

            Cláudia, Quem para está perdido, Igouf Ernest, Karine, O talismã e Não aprendia a dizer adeus, são capítulos que integram a segunda parte “Diário de um cão errante”. Recorrendo a terceira pessoa, Battisti mescla ficção e realidade para narrar sobre as situações inusitadas durante a fuga. As viagens, o constante receio de ser preso, a carola sensual, a prostituta nórdica, o sábio etíope. A chegada ao País das novelas, futebol e miséria.

            HISTÓRIA – Battisti nasceu em Sermoneta na Itália em 1954. Filho de pai comunista e mãe católica, desafiava o retrato de Stálin pendurado na sala. “Eu não tinha ainda dez anos e já berrava, no alto-falante do carro dele: ‘Governo ladrão ou ratos fascistas, o lugar de vocês é no esgoto’”, escreve sobre a infância.

            LIVROS publicados no Brasil: Minha fuga sem fim (2007); Ser Bambu (2010); Ao Pé do Muro (2011) – será lançado em Pelotas. Obras do selo ‘Martins’ da editora Martins Fontes.

domingo, 13 de maio de 2012

Construção do Comitê da Verdade em Pelotas começa amanhã


O Instituto Mário Alves é um dos idealizadores do Comitê da Verdade em Pelotas. As discussões começarão a partir de amanhã (14) e todos aqueles que buscam justiça estão convidados a essa construção!



Carta à Sociedade:

Prezad@s:

                Nos último meses temos acompanhado um aumento nas discussões e nas mobilizações sociais em torno da apuração das graves violações aos direitos humanos cometidas durante a ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985), especialmente a partir da criação da Comissão Nacional da Verdade, em dezembro de 2011.

Parte destas discussões tem sido fomentadas a partir da criação de Comitês locais, que visam fortalecer as investigações da Comissão da Verdade e ampliar o debate público em torno do tema. Há comitês sendo criados em diferentes estados, e algumas entidades e centrais sindicais, como a CUT e a CONLUTAS, já manifestaram interesse em participar deste movimento.

              Neste sentido, estamos nos mobilizando para criarmos um Comitê da Verdade em Pelotas, a exemplo do que ocorre em outros municípios do Estado, como Porto Alegre e Santa Maria.

                CONVIDAMOS, então, todas as pessoas, entidades e coletivos interessados para uma reunião para a construção deste Comitê em Pelotas, que será realizada na próxima segunda-feira, dia 14 de maio, às 17h30min, na Sede do Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região (Rua Tiradentes, 3087 - Centro).
Contamos com a sua participação!

Atenciosamente,
Coletivo pró-instalação do Comitê da Verdade de Pelotas

quarta-feira, 9 de maio de 2012

IMA comemora seus 11 anos com jantar neste mês



O IMA comemora 11 anos neste mês e você é convidado para estar presente neste momento importante de mais uma etapa vencida, no resgate à memória das lutas políticas e na construção da transformação social.

No próximo dia 18, o IMA estará oferecendo um jantar de confraternização, seguido de bingo. Na ocasião, será apresentada oficialmente a nova logomarca do Instituto e as apresentações dos projetos que o IMA tem desenvolvido e está trabalhando atualmente.

Ingressos limitados a R$ 15,00 podem ser adquiridos no IMA (Andrade Neves, 821 - Fone: 3025 7241) ou através dos telefones: Lauro 9113-1116, Mana 8124-7554, Janaína 8124-2414 e Juliana 8438-1998.

Instituto Mário Alves - 11 anos de histórias, resgates e construção social!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

IMA apóia a luta doa trabalhadores


O Instituto Mário Alves esteve presente no “1º de Maio”, organizado por sindicatos e movimentos sociais de Pelotas, no dia do Trabalhador, no Parque Dom Antonio Zattera.

(Foto: Roger Peres)

No apoio à luta dos trabalhadores, colaboradores do IMA estiveram juntos com a diversidade de movimentos e lutas presentes no Encontro histórico do Dia do Trabalhador. O Momento contou com temas como:

- Contra a desindustrialização
- Na defesa do emprego decente
- Pagamento do piso aos professores municipais e estaduais sem mexer no plano de carreira
- Redução da jornada de 44 para 40 horas semanais
- Ratificação da Convenção 151
- Contra o Fator Previdenciário
- Contra a Previdência complementar
- Pela Reforma Agrária
- Apuração e punição dos assassinos de Jair e Elton 

Críticas quanto à propaganda enganosa do poder público aos  "200 anos de Pelotas", apresentações artísticas de bandas locais, mateada e participações de entidades e organizações também se fizeram presentes no encontro.


Dia do Trabalhador é todo dia



Por Guilherme de Oliveira

É em um momento histórico que hoje se reivindica o Dia do Trabalhador. Na verdade, todos os dias são dos trabalhadores, daqueles que constroem e mantém as escolas e as universidades que estudamos, que limpam as ruas que caminhamos, que dirigem o transporte que nos locomovemos, que nos tratam quando estamos doentes… Se pegarmos a história da humanidade, não houve um dia que ela tenha conseguido evoluir sem a participação de um trabalhador. Entre ascensos e refluxos, a classe trabalhadora vive não um dia, mas um momento de transformações que abre as portas para novas lutas e novas conquistas.



Foi através de uma mobilização pela jornada de trabalho de oito horas ocorrida em Chicago, em 1886, que logo no ano de 1889 foi constituído o dia 1 de maio como dia internacional dos trabalhadores. Também em Chicago o emigrante austríaco Friedrich Von Hayek, economista e filósofo, formou gerações de economistas monetaristas ultra-conservadores como Milton Friedman na Universidade de Chicago. Hayek ensinou aos seus ‘’Chicago Boys’’ que a intervenção do Estado na vida individual ou social coloca o povo na ‘’linha da servidão’’. Ele apresentou a liberdade econômica (o direito de ganhar e usar sua fortuna sem intervenção exterior) sobre o mesmo plano das liberdades políticas ou pessoais duramente conquistadas pelos trabalhadores. É nesta crise de hoje que vemos claramente o fracasso da política dos Chicago Boys e a necessidade de avançar a luta dos trabalhadores para revolução socialista. Os grandes capitalistas do mundo provaram mais uma vez, na crise deflagrada em 2008 que segue até os dias atuais e não tem prazo para acabar, que são verdadeiras bestas que só pensam em lucro e não se importam em condenar 24,5 milhões de homens e mulheres da União Européia ao desemprego, por exemplo. É por estes trabalhadores que hoje estão sendo privados de exercer sua profissão e por todos os outros que mesmo tendo são privados de ter uma vida digna, que a luta clama por avançar e conquistar.

Novas perspectivas, vitórias e derrotas se apresentam para classe trabalhadora. É verdade que os anúncios de cortes, de avanços dos planos de austeridade apontam um futuro nebuloso, mas também é verdade que a luta e a mobilização histórica dos trabalhadores já começa a esboçar algumas respostas. No mesmo Dia do Trabalhador, Evo Morales, Presidente da Bolívia, anunciou a nacionalização da Transportadora de Energia. Essa é uma pauta histórica do povo boliviano que já na década de 50 havia conquistado a nacionalização das mineradoras e a reforma agrária. Os avanços dos mineiros e camponeses bolivianos foram atacados com um covarde golpe militar que destitui o presidente Victor Paz Estenssoro e empossou o assassino René Barrientos.

No mês passado, em abril, o povo argentino também aplicou uma dura derrota aos exploradores ao anunciar a expropriação das ações da distribuidora de gás e petroleira YPF. Tanto a Transportadora de Energia na Bolívia como a YPF argentina estavam nas mãos dos espanhóis que outrora colonizaram estes países e seguem até hoje explorando. As nacionalizações ocorridas são respostas não desta, mas de várias gerações da classe trabalhadora latino-americana contra os colonizadores e exploradores que não permitem sua verdadeira emancipação.

A nacionalização é um avanço que não deve restringir a luta contra a democracia burguesa, que é a melhor forma possível para o desenvolvimento do capitalismo e faz parte dos atuais governos. Como bem descreveu Lenin, depois que o capital se apropria da democracia, através da corrupção, por exemplo, ele exerce o seu poder de forma tão segura que qualquer mudança de partidos, pessoas ou instituições não abalam o seu domínio. Através deste sistema tão elogiado pelos grandes capitalistas, ‘’os trabalhadores de hoje se transformaram em escravos assalariados, em conseqüência da exploração capitalista, e esmagados pela necessidade e pela miséria, não se interessam pela política e, no curso pacifico dos acontecimentos a maioria da população, se encontram afastados da vida político e social’’, afirma Lenin.

Através de influências no governo do aimará Evo Morales ou no governo social-democrata da Cristina Kirchner, o povo tem conquistado algumas vitórias, que são grandes no presente, mas pequenas para o futuro. É preciso a partir delas conquistar também o Estado, o qual segundo Engels, “é o Estado da classe mais poderosa, daquela que domina do ponto de vista econômico e que, graças a ele, se torna também classe politicamente dominante e adquire assim novos meios para esmagar e explorar a classe oprimida’’.  Mesmo derrotada a classe dominante, os trabalhadores ainda tem a necessidade do Estado, só que dessa vez para garantir a democracia para a imensa maioria do povo e reprimir pela força os exploradores. Somente na sociedade comunista, quando a resistência dos capitalistas estiver definitivamente derrotada, que os capitalistas desaparecerão e não haverá mais classes. Essa é a nossa luta, esse é o nosso fim como militantes socialistas.

* Guilherme de Oliveira é presidente do Centro Acadêmico de Comunicação Social da PUCRS e militante do Juntos

quinta-feira, 26 de abril de 2012

"A Construção da Memória Política" é lançado na Pós-Graduação em Ciência Política da UFPel




Amanhã (27) tem lançamento do texto "A Construção da Memória Política", organizado pela professora de Ciência Política da UFPel, Naiara Dal Molin e pelo doutorando em Ciência Política da UFRGS, Elias Vieira.
A abordagem passa pela retomada das discussões em torno da memória e identidade política dos movimentos sociais, das lutas sindicais, das mulheres e outros segmentos políticos.
A livraria do Instituto Mário Alves tem o livro para venda.



O lançamento também conta com a obra   “Democracia e Processos Políticos, organizado pelo professor Daniel de Mendonça.

A atividade será realizada amanhã,  dia 27 de abril, às 17h, no Instituto de Filosofia, Sociologia e Política, na rua Alberto Rosa, 154, segundo andar, Pelotas.

terça-feira, 24 de abril de 2012

A Atualidade de Chico Mendes: Pelotas recebe Osmarino Amâncio

Organizado pelo Coletivo Barricadas, o debate será em torno da  ATUALIDADE DE CHICO MENDES: Meio ambiente, questão agrária e sindical no Brasil atual



Debatedor: Osmarino Amâncio, contemporâneo de Chico Mendes, militante e seringueiro em Brasiléia (Acre).

Quando? 24 de abril, terça-feira, 19h

Local: Auditório da Faculdade de Educação (3º andar do ICH/UFPEL)
Mais sobre a atividade agrária e sindical de Osmarino no blog

Saiba quem é Osmario Amâncio:

Osmarino Amâncio é militante da causa ambiental desde os anos 1970. Junto com Chico Mendes e Wilson Pinheiro confrontou-se com os “empates”, no meio da selva amazônica, que visavam à derrubada da mata e a expulsão dos moradores da floresta em nome do desenvolvimento dos grandes negócios madeireiros.Osmarino já foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia (Acre, fronteira com a Bolívia), sofreu três atentados à vida, teve sua casa incendiada cinco vezes, mas continua resistindo. Também ajudou a elaborar a política das reservas extrativistas, combatendo, hoje, pela manutenção do projeto originário, que dá aos habitantes do direito de uso-fruto dos lotes, em convivência harmônica com a natureza. Além disso, protagoniza a resistências às investidas do capital sobre a floresta e, mais do que a defesa da floresta de forma preservacionista, organiza a luta em defesa dos direitos dos povos que nela e dela vivem: contra a exploração da madeira e o avanço do agronegócio sob o abrigo do novo código florestal brasileiro.

Osmarino tem sido o porta-voz desta luta nos mais diferentes espaços, desde movimentos sociais até congressos acadêmicos. Novamente, busca organizar a resistência pela via da disputa sindical dentro do STR (Sindicato dos Trabalhadores Rurais) de Brasiléia, mesmo sob forte investida dos representantes do governo acreano e do capital, que compram seus possíveis apoiadores – literalmente compram! Sua vinda ao RS está ancorada na tentativa de dar a conhecer as atuais condições de existência política no Acre para além daquelas fronteiras, buscando um apoio articulado nacionalmente como principal forma de defesa dos interesses dos povos que vivem do extrativismo amazônico.

A questão sindical e a luta pela reforma agrária no Brasil: da Amazônia ao Rio Grande do Sul. Neste debate, o companheiro apontará as principais questões que estão envolvidas na disputa sindical no Acre hoje e a importância da organização e disputa do STR de Brasiléia para a defesa dos trabalhadores que vivem da floresta, apontando as políticas que o governo, em nível estadual e federal, têm promovido para a desarticulação dos trabalhadores daquela região.

sábado, 14 de abril de 2012

Manifestação em Bagé relembra tortura na ditadura e contesta livro sobre Médici


O IMA levou um grupo de pessoas ao ato público que aconteceu no lançamento do livro sobre ditador, escrito por coronéis


Do lado de dentro de um clube, militares e simpatizantes do governo Médici participavam do lançamento do livro sobre o período. Do lado de fora, manifestantes lembravam da tortura que a ditatura militar causou

“Bagé pede desculpas ao Brasil” dizia em um dos cartazes. Os manifestantes estavam na própria terra de Emílio Garrastazu Médici, militar que governou o País de 69 a 74, tendo um dos governos mais sangrentos da história da política. Há pouquíssimos metros de distância dos manifestantes e ao mesmo tempo, acontecia o lançamento do livro “Médici: A verdadeira história” – escrito pelos coronéis Claudio Heráclito Souto e Amadeu Deiro Gonzale, em Bagé. Em frente ao local onde o livro estava sendo lançado, o grupo de militantes gritou por justiça em memória dos torturados, desaparecidos e mortos pela ditadura militar. A manifestação aconteceu na última quarta-feira (11).

Na busca de chamar a atenção da comunidade em geral e do público que, saudosamente, assistia ao lançamento do livro, o grupo lembrou alguns dos tantos nomes de militantes que sofreram na ‘era Médici’: “Precisamos romper o silêncio que paira sobre esta cidade. Bagé não tem orgulho dos tempos do Médici, o governo mais nebuloso da história do Brasil”, disse um dos organizadores.

Contra a visão da história apresentada pelos militares aposentados também lembraram da importância da abertura dos arquivos da ditadura e pelo julgamento dos torturadores no Brasil.


sábado, 31 de março de 2012

O 31 de Março deveria ser feriado nacional

[O IMA publica aqui um texto de Leonardo Sakamoto, que muito reflete a opinião do Instituto quanto à barbaridade que o 31 de Março representa na história.]
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Deveríamos transformar o 31 de Março em feriado nacional. Talvez assim possamos garantir que esse dia nunca seja encarado por nós e, principalmente, pelas gerações que virão como um grande Primeiro de Abril, como se o golpe de 1964 nunca tivesse existido.

Cicatriz que não deveria ser escondida mas permanecer como algo incômodo, à vista de todos, funcionando como um lembrete. Não vivemos três décadas de piada, apesar da elite militar e parte da elite econômica do país terem rido muito às custas de quem pedia liberdade e democracia nos Anos de Chumbo.

Pouco me importa o que pensam os verde-oliva da reserva que tomam seu uísque nos Clubes Militares enquanto, saudosos, lançam confetes ao Dia da Revolução (sic). Demonstrações de afeto a um período autoritário são peça de museu, então que fiquem, democraticamente, com quem faz parte do passado. Mas eles precisam saber que, desta vez, a História não vai ficar com a versão dos golpistas. E que o mundo que eles ajudaram a construir, mais cedo ou mais tarde, vai embora com eles. Não por vingança, mas por Justiça.

Em nome de uma suposta estabilidade institucional, o passado não resolvido permanece nos assombrando. Seja através de um olhar perdido da mãe de um amigo que, da janela, permanece a esperar o marido que jaz no fundo do mar, lançado de helicóptero. Seja adotando os métodos desenvolvidos por eles para garantir a ordem e o progresso.

Durante a ditadura, os militares armaram uma farsa para encobrir o assassinato do jornalista Vladimir Herzog. A explicação trazida à público, de suicídio na cela, não convenceu e a morte de Vlado tornou-se símbolo na luta contra o regime. Mas fez escola.

Tempos atrás, aqui em São Paulo, um homem de 39 anos foi encontrado enforcado pouco mais de duas horas depois de ter sido preso. Supostamente, era traficante e transportava cocaína. Supostamente, teria se enforcado usando um cadarço de sapato. Questionado por jornalistas se não é praxe da polícia retirar os cadarços de sapatos de presos, um policial afirmou que o acusado usou um pedaço de papelão para arrastar um cadarço que estava fora da cela. Seria cômica se não fosse ofensiva uma justificativa dessas.

Como aqui já disse, o impacto de não resolvermos o nosso passado se faz sentir no dia-a-dia dos distritos policiais, nas salas de interrogatórios, nas periferias das grandes cidades, em manifestações, nos grotões da zona rural, com o Estado aterrorizando ou reprimindo parte da população (normalmente mais pobre) com a anuência da outra parte (quase sempre mais rica). A verdade é que não queremos olhar para o retrovisor não por ele mostrar o que está lá atrás, mas por nos revelar qual a nossa cara hoje.

Lembrar é fundamental para que não deixemos certas coisas acontecerem novamente. Que o governo tenha a decência de instalar urgentemente a Comissão da Verdade que, mesmo esvaziada na versão em que foi aprovada, trará um pouco de luz às trevas. Que o Supremo Tribunal Federal considere que crimes contra a humanidade, como a tortura, não podem ser anistiados, nunca. Que a história dos assassinatos sob responsabilidade da ditadura seja conhecida e contada nas escolas até entrar nos ossos e vísceras de nossas crianças e adolescentes a fim de que nunca esqueçam que a liberdade do qual desfrutam não foi de mão beijada.

Mas custou o sangue, a carne e a saudade de muita gente.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Estado terá que prestar contas sobre morte de Herzog

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), entidade da Organização dos Estados Americanos (OEA), notificou nesta semana o Estado brasileiro sobre denúncias referentes às circunstâncias da morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975.

A notificação indica a abertura oficial, pela corte internacional, da investigação sobre a morte do jornalista, ocorrida dentro do Destacamento de Operações de Informações —Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) de São Paulo, órgão subordinado ao Exército, que funcionou durante o regime militar como centro de tortura a opositores da ditadura.

O pedido de investigação foi feito por quatro entidades que atuam na defesa de direitos humanos no Brasil: o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), a Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos (FIDDH), o Grupo Tortura Nunca Mais, de São Paulo, e o Centro Santo Dias de Direitos Humanos, da Arquidiocese de São Paulo.

Em nota divulgada nesta quinta (29), as quatro entidades acusam o Estado brasileiro de omissão. "Este caso é mais um exemplo da omissão do Estado brasileiro na realização de justiça dos crimes da ditadura militar cometidos por agentes públicos e privados", destaca a nota.

A denúncia foi enviada à OEA em 2011, porque as entidades consideraram que não houve por parte do Estado brasileiro o devido processamento legal do caso. "Esse caso já deveria ter sido investigado, processado e julgado e, se for o caso, com a punição dos responsáveis. Isso não ocorreu", disse a advogada Natália Frickmann, da Cejil, uma das organizações que assinam a denúncia.

Segundo Natália, houve tentativas internas para que ocorresse o processamento legal, mas não houve resposta do Estado brasileiro. "Por isso, essa denúncia foi levada à comissão internacional, já que a Convenção Americana de Direitos Humanos determina essa obrigação", explicou a advogada.

De acordo com a denúncia, a única investigação realizada até hoje sobre a morte do jornalista foi feita por meio de inquérito militar, que concluiu pela ocorrência de suicídio, versão apresentada à sociedade e à família de Herzog.

Em 1976, parentes do jornalista apresentaram uma ação civil declaratória na Justiça Federal desconstituindo a versão do suicídio. Em 1992, o Ministério Público do Estado de São Paulo requisitou a abertura de inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte de Vladimir Herzog, mas o Tribunal de Justiça considerou que a Lei de Anistia é um obstáculo para a realização das investigações.

Em 2008, outra tentativa para iniciar o processo penal contra os responsáveis pelas violações cometidas foi feita, mas procedimento foi novamente arquivado sob o entendimento de que os crimes haviam prescrito.

Informações das agências